Mauro Cosenza e a arte generativa que reinventa a flora

O artista uruguaio Mauro Cosenza transforma dados em flora imaginária com arte generativa que questiona os limites entre natureza e código.

Design // The New Layout
Caíque Nucci
Abril, 2026

O que acontece quando o corpo aprende a linguagem das máquinas antes de aprender a escrever código? Para Mauro Cosenza, artista multidisciplinar baseado em Montevidéu, essa pergunta não é retórica. Formado no circo, no teatro físico e na dança contemporânea desde 2007, ele chegou ao TouchDesigner e ao Python pelo mesmo caminho que chegou ao palco: pela necessidade de criar sistemas que respondam ao movimento e à presença humana em tempo real.

A exposição Neo Botanica. An Atlas of Artificially Generated Flora, apresentada na Load Gallery em Barcelona entre fevereiro e março de 2025, foi o ponto de convergência mais nítido dessa trajetória. Com obras como Pelargonium zonale, Etymon e Flowers Hum, Cosenza produziu vídeos de arte generativa que reconstroem morfologias vegetais a partir de leitura de dados, efeitos visuais e síntese sonora. A flora não é referência estética: é pretexto para investigar como sistemas vivos, biológicos ou computacionais, compartilham lógicas de crescimento, repetição e transformação.

O que distingue o trabalho de Cosenza no campo da arte digital não é o domínio técnico, ainda que sólido, mas a camada performática que permanece mesmo quando o corpo sai de cena. Há uma fisicalidade nos sistemas que ele constrói: sensores interativos, atmosferas imersivas e trilhas geradas algoritmicamente que se comportam menos como instalações e mais como organismos. Essa abordagem coloca sua produção num território singular, entre a arte de novos meios, o design de experiências e a pesquisa em movimento.

A trajetória internacional de Cosenza cobre mais de cem festivais em América, Europa e Ásia. Do SESC Festival Internacional de Circo em São Paulo ao Intervals Fest em Nizhny Novgorod, passando por Dubai e pelo Miyashita Park em Tóquio, o que ele carrega entre contextos e geografias não é um formato, mas uma pergunta: como a tecnologia pode ampliar, e não substituir, a inteligência do corpo?

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