SPFW N59: Reptilia

The collection is born of movement and force, of the invisible gesture that, across millennia, carves mountains and hollows. The clothes also slide, shed skin, transform like landscapes in slow mutation.

Sarah Rocksane Araujo

Words by Sarah Rocksane Araujo

Editorial, Fashion and Beauty

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Debaixo da pele do mundo, pulsa Tectônica: nome que não sussurra, mas ruge, evocando a matéria-prima da Terra, eis o cerne da nova coleção da Reptilia

A coleção nasce do movimento e da força, do gesto invisível que, ao longo de milênios, esculpe montanhas e cavidades. As roupas também deslizam, mudam de pele, se transformam como paisagens em mutação lenta. A alfaiataria, firme como rocha, precisa como corte de mineral, carrega recortes que lembram falhas geológicas, silhuetas que desdobram o tempo. Casacos e pelerines emergem como crostas sobrepostas, abrindo camadas que revelam o que antes era segredo. Tudo se articula em peças que oferecem múltiplas versões de si, numa coreografia de possibilidades.

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Fotos: Ze Takahashi/ @agfotosite

Veja os principais highlights do desfile na experiência em Realidade Aumentada abaixo

Como a camisaria que estende e retrai suas mangas como placas que se ajustam (ora curtas, ora longas), criando movimento e força a partir da leveza. Entre o rigor da alfaiataria e o sussurro da tradição vitoriana, a Reptilia costura passado e presente, estrutura e fluidez, sombra e brilho. Na superfície, o gesto é técnico, preciso, cortes a laser desenham contornos que lembram arquitetura, mas logo se rendem à pele do orgânico: sobras que viram textura, curvas bordadas à mão como sedimentos de tempo. Uma estampa inédita emerge: feita de areia, rachaduras e água, captura o silêncio do solo do Oriente Médio por meio das lentes de Heloisa. Impressa em seda e rami, a imagem ecoa a paisagem mineral da coleção: tons arenosos, marrons que se aprofundam como fossas, cinzas que brilham sem luz, azuis de pedra e de céu.

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Fotos: Ze Takahashi/ @agfotosite

A coleção se dobra ainda sobre os acessórios: mocassins, cintos e bolsas feitos em camadas pela artista Juliana Bicudo, onde o plissado e o corte também falam em fissura e reconstrução. Tudo se encaixa como placas vivas, compondo um vestuário de memória tectônica. Criar, aqui, é escavar; vestir, é mover-se como a Terra: firme, mas em constante reinvenção.

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