Dieter Rams's legacy in design: the radical silence of form

Today, when design risks dissolving into spectacle or into the performance of the “new”, revisiting Rams is an exercise in resistance. Jonathan Ive, Jasper Morrison, Naoto Fukasawa, all drank from his source.

Gilles Pedroza Leite

Words by Gilles Pedroza Leite

Design and Innovation

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Há legados que se impõem pelo ruído da inovação; outros, como o de Dieter Rams, pela serenidade de um gesto que redesenha o essencial. Rams não projetou objetos, ele desenhou silêncios. Seu design, disciplinado por uma ética que beira o ascetismo, tornou-se um manifesto visual contra o excesso. Ao formalizar seus Dez Princípios, Rams não ofereceu mandamentos, mas pistas para uma existência mais sensível, mais justa, mais honesta. O que está em jogo em sua obra não é a estética do minimalismo como fetiche de mercado, mas uma profunda convicção de que reduzir é respeitar: o usuário, o ambiente, o tempo. Em um mundo embriagado pela obsolescência, ele nos lembra: menos não é apenas mais, menos pode ser suficiente.

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Sua colaboração com a Braun e a Vitsoe constitui talvez a mais coerente gramática visual do século XX. Do rádio ao sistema modular, Rams fundou uma linguagem em que forma e função são inseparáveis, não por obediência ao funcionalismo clássico, mas por uma ética que vê no detalhe uma forma de cuidado. O botão, a curva, o espaço vazio: tudo fala. Sua recusa a adornos não é uma negação do belo, mas a aposta em um belo que emerge da clareza. Tal qual um poema haicai, seus objetos sugerem mais do que mostram, convidam mais do que impõem. Sua tecnologia é aquela que se infiltra no cotidiano sem gritar, mas molda, com ternura, a forma como habitamos o mundo.

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Hoje, quando o design corre o risco de dissolver-se no espetáculo ou na performance do “novo”, revisitar Rams é um exercício de resistência. Jonathan Ive, Jasper Morrison, Naoto Fukasawa, todos beberam de sua fonte. Mas seu legado não reside na citação ou no estilo, e sim na atitude: projetar como quem escuta. Escutar o contexto, a necessidade, o tempo. Rams nos legou mais que objetos: ofereceu-nos um método ético de existir no mundo através da forma. Seu design não quer ser lembrado como autoral, mas como útil. E é justamente aí que ele se torna inesquecível.

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Na obra “with my vowels”, Swilk @swilkwork desenvolve uma investigação sobre linguagem como sistema físico. A instalação utiliza estruturas

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