Instalação cinética utiliza 384 ventiladores e sistemas computacionais para explorar controle, turbulência e tecnologia.
A instalação Liminal Ring, do artista de new media Jin Lee, circulou por uma série de exposições internacionais entre 2024 e 2025, incluindo UnfoldX 2024, The Dark Rooms 2025 e Ars Electronica 2025. A obra consiste em um sistema cinético composto por 384 ventiladores de fluxo laminar que interferem em correntes de ar turbulentas, tornando visível o embate entre ordem artificial e imprevisibilidade ambiental por meio de névoa controlada.
Baseado em Berlim desde 2013, Jin Lee constrói sua prática a partir de sistemas computacionais, circuitos eletrônicos e simulações de CFD (Computational Fluid Dynamics). Com formação anterior em engenharia e design, o artista investiga padrões complexos presentes na natureza e traduz esses comportamentos em fenômenos perceptíveis. Seu trabalho opera no limite entre controle e aleatoriedade, explorando como a tecnologia tenta estruturar sistemas naturais sem jamais dominá-los por completo.
Em Liminal Ring, cada apresentação é adaptada às condições específicas do espaço expositivo. Volume do ambiente, ventilação e circulação do público alteram o comportamento da instalação, exigindo ajustes na programação e na sequência operacional do sistema. O artista desenvolveu internamente o hardware, a eletrônica e as simulações que determinam o fluxo de ar. A fragilidade do resultado não é tratada como erro, mas como parte estrutural do conceito. A obra evidencia a impossibilidade de estabilizar integralmente um sistema dinâmico.

A circulação internacional da instalação coincide com um momento de intensificação das discussões sobre materialidade em um contexto cada vez mais mediado por ambientes virtuais e inteligência artificial. Enquanto ferramentas digitais avançam em direção a simulações cada vez mais precisas, Jin Lee direciona sua pesquisa para o peso e os limites do mundo físico. O interesse atual do artista envolve investigar o que permanece real quando o digital se torna indistinguível do tangível, deslocando o foco para sistemas que revelam tensão entre simulação e presença material.

Ao longo do último ano, o número de convites expositivos levou o artista a reorganizar sua agenda de pesquisa e colaborações comerciais. Ainda assim, novos projetos seguem em desenvolvimento paralelo, mantendo o interesse por fenômenos físicos como portadores de significado em um cenário dominado por tecnologia imersiva.