Spotted: Biarritzzz

From a critical view of digitality and virtuality, biarritzzz discusses pop culture, the pedagogies of the meme, the politics of error and improvisation, and the aesthetics of video games and the internet, through poetry and moving images.

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biarritzzz (1994, Fortaleza, vive e trabalha em Recife, Brasil) é uma artista transmídia antidisciplinar que investiga interseções entre linguagens, códigos e mídias. Ela acredita na magia e na baixa resolução como contra narrativas importantes para viver a atual disputa cosmológica de realidades.

A partir de uma visão crítica sobre digitalidade e virtualidade, biarritzzz discute cultura pop, pedagogias do meme, políticas do erro e do improviso, estéticas de videogame e internet, com poesia e imagens em movimento.

Já expôs nacional e internacionalmente, incluindo a plataforma Satélite (Pivô Arte e Pesquisa), A.I.R Gallery, Centro Cultural São Paulo, The Wrong Biennale, FILE, IMS (Instituto Moreira Salles), The Shed NY entre outros festivais e exposições coletivas. Integra os acervos do Rhizome Artbase (New Museum), KADIST Foundation, IMS, SPAMM.fr, HIPOCAMPO, e MIS-SP (Museu da Imagem e do Som de São Paulo).

Conheça mais sobre o trabalho e trajetória da artista na entrevista abaixo.


CM: Para você, como a noção de progresso associada ao futurismo se contrapõe à noção de tempo circular e/ou espiralar presente nas cosmovisões ancestrais negras e indígenas e como essa dualidade do tempo se manifesta no seu trabalho?

O futurismo foi assumidamente um projeto de detrimento das formas de viver não urbanizadas e não centradas na figura das máquinas e das indústrias de queimas de combustíveis. A velocidade, posteriormente associada a um desenvolvimentismo estatal viraram o modus operandi e a propaganda dos estados nação no século XX. De forma alguma esse pensamento correspondeu à manutenção da vida não humana, ou da vida não urbana, ou da compreensão da natureza para além do positivismo extrativista. Os povos e seus conhecimentos estabelecidos à beira do humanismo, os não tão brancos para estarem no corpo desta filosofia, jamais foram considerados como ciência ou sequer como humanidade, e isso gerou uma esquizofrenia com a terra tal qual vivemos hoje.

O pensamento do progresso é imbricado na tradição evolucionista, para além do darwinismo, o evolucionismo social, o racismo científico. Essa linha reta, que só cresce, ou só vai para frente, ignora as outras formas de entender o tempo e o mundo não cronológicos. Os povos indígenas de Abya Yala, de África e até de demais países asiáticos viveram e vivem a partir de outras relações com o tempo: da terra e do mundo. Essa guerra cosmológica é uma guerra entre unilateralismo /universalismo e multiperspectivismos, poderíamos assim trazer um recorte. Tento abordá-la no meu trabalho seja a partir das imagens, dos discursos, das narrativas em vídeo, música, poesia e performance. Falar sobre esse problema se tornou inevitável de uns anos para cá, e trabalhar com incômodos, muitas vezes a partir da ironia ou até do nonsense, está bem próximo com minha produção.


CM: Num mundo dominado pelas imagens e, mais recentemente, por imagens de inteligência artificial, qual a importância de se  abordar a ancestralidade e magia na sua prática artística?

A magia a partir de onde falo vem da relação com os antepassados; relação essa mediada por tecnologias tradicionais, anteriores às máquinas, aos algoritmos etc. Não sei se precisamos, como sociedade, falar sobre magia. O que sei é que preciso falar, afinal é também a minha realidade inevitável.

CM: O fácil acesso ao celular e a disseminação dos meios de produção e circulação de vídeos independentes, reconfigurou modelos econômicos, sociais, culturais ao democratizar meios de produção audiovisual, ampliando o acesso e proporcionando novos meios de produção da autoimagem… Como você enxerga a disseminação das novas ferramentas de inteligência artificial a que temos acesso hoje em dia?

Vejo como algo a ser tratado cautelosamente. Inteligências artificiais hoje são moedas e apostas de grandes empresas de tecnologia que pouco retornam à sociedade e que nada têm a oferecer que não mais extrativismo, humano e não humano. E há muito de trabalho humano não remunerado nelas. Mais do que é deixado transparecer.

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O artista uruguaio Mauro Cosenza @mauro_cosenza, formado no circo e no teatro físico, apresentou Neo Botanica na Load Gallery @load.gallery

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