Ein Ausbruch über „Technologie“ von Ursula K. Le Guin
Kolumnist Gilles Pedroza Leite hat Ursula K. Le Guins Gedanken zur Technologie übersetzt und weitergedacht.
Text von
Text von Gilles Pedroza Leite
Design und Innovation
Artikel anhören
Dieser Beitrag ist noch nicht übersetzt. Sie lesen das Original auf Portugiesisch.
Em uma resenha interessante e favorável de Changing Planes, o crítico argentino afirma que, como Le Guin não é uma escritora de ficção científica "hard", “a tecnologia é cuidadosamente evitada”. Acrescentei uma nota de rodapé na minha tradução do artigo e aqui está essa nota expandida, porque esse assunto realmente está me incomodando.
Ficção científica hard trata de tecnologia, e ficção científica soft não tem nenhuma tecnologia, certo? E meus livros não têm tecnologia porque eu só me interessei por psicologia, emoções e outras coisas “moles” assim, certo?
Errado. Como pode haver ficção científica genuína, de qualquer tipo, sem conteúdo tecnológico? Mesmo que o interesse principal não seja engenharia ou o funcionamento de máquinas (e, como a maioria dos meus livros, esteja mais interessado em como mentes, sociedades e culturas funcionam) ainda assim, como alguém pode criar uma história sobre o futuro ou sobre uma cultura alienígena sem descrever, implícita ou explicitamente, sua tecnologia?

Ninguém pode. E eu não consigo imaginar por que alguém tentaria.
A tecnologia é a maneira como uma sociedade lida com a realidade física: como as pessoas obtêm, conservam e preparam alimentos, como se vestem, quais são suas fontes de energia (animal? humana? água? vento? eletricidade? outras?), com o que constroem e o que constroem, como é sua medicina, e assim por diante. Talvez pessoas muito etéreas não se interessem por essas questões mundanas e corporais, mas eu sou fascinada por elas, e acho que a maioria dos meus leitores também é.
A tecnologia é a interface ativa do ser humano com o mundo material.
Mas a palavra é constantemente mal utilizada para significar apenas as tecnologias extremamente complexas e especializadas das últimas décadas, sustentadas por uma exploração massiva tanto dos recursos naturais quanto dos humanos.
Esse uso da palavra não é aceitável. “Tecnologia” e “alta tecnologia” não são sinônimos, e uma tecnologia que não é “alta” não é necessariamente “baixa” em nenhum sentido significativo.

Fomos tão dessensibilizados por cento e cinquenta anos de progresso técnico incessante que pensamos que nada menos complexo e chamativo do que um computador ou um bombardeiro a jato merece ser chamado de “tecnologia”. Como se o linho fosse a mesma coisa que o linho cru (como se papel, tinta, rodas, facas, relógios, cadeiras, comprimidos de aspirina fossem objetos naturais, nascidos conosco como nossos dentes e dedos) como se panelas de aço com fundo de cobre e coletes de lã feitos de vidro reciclado crescessem em árvores e pudéssemos simplesmente colhê-los quando estivessem maduros...
Uma maneira de ilustrar que a maioria das tecnologias, na verdade, são bem “altas” é se perguntar, diante de qualquer objeto feito pelo homem: Eu sei como fazer um desses?
Qualquer pessoa que já tenha acendido um fogo sem fósforos provavelmente desenvolveu um respeito adequado pelas tecnologias “baixas”, “primitivas” ou “simples”; qualquer um que já tenha acendido um fogo com fósforos deveria ter inteligência suficiente para respeitar essa notável invenção de alta tecnologia.
Eu não sei como construir e alimentar uma geladeira ou programar um computador, mas também não sei como fazer um anzol ou um par de sapatos. Mas eu poderia aprender. Todos nós podemos aprender. Essa é a parte fascinante das tecnologias. Elas são aquilo que podemos aprender a fazer.
E toda ficção científica, de um jeito ou de outro, é tecnológica. Mesmo quando é escrita por pessoas que não sabem o que a palavra significa.
Ainda assim, concordo com o meu crítico que eu não escrevo ficção científica hard. Talvez eu escreva ficção científica fácil. Ou talvez a parte difícil esteja por dentro, oculta, como ossos, em vez de um exoesqueleto...
— Ursula K. Le Guin, 2005

Complete TV · Reels
Präsentiert auf dem Philippe-Chatrier-Platz in Roland Garros, die Fall-2026-Kollektion von @lacoste @lacostebrasil unter der kreativen Leitung von Pelagia
Auf Instagram ansehenVon Complete
Mehr von Gilles Pedroza Leite
Profil ansehen









