Casa de Criadores 56: neue Stimmen und Erzählungen der brasilianischen Mode

Mit disruptivem Geist und Fokus auf neue Erzählungen versammelte die 56. Casa de Criadores etablierte Namen und junge Positionen und verband ästhetische Recherche, kulturellen Diskurs und technische Innovation, um die unabhängige brasilianische Mode zu stärken.

Caíque Nucci

Text von Caíque Nucci

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A 56ª edição da Casa de Criadores se consolidou como um marco no calendário da moda brasileira, reafirmando o evento como vitrine de novas vozes, narrativas e experimentações. Nesta temporada, a passarela reuniu criações que tratam a moda como ferramenta cultural, política e estética, em constante reinvenção. Dos dramas históricos às provocações identitárias, passando por resgates afetivos e experimentações tecnológicas, cada marca apresentou novas possibilidades para o vestir e reforçou a pluralidade como força criativa.

Rober Dognani

Com seu drama característico, Rober Dognani revisita memórias familiares para construir um desfile teatral, atravessado por referências vitorianas, hispânicas e vampirescas. Entre veludos, babados e crinolinas, o estilista mantém o domínio técnico e a intensidade visual, explorando colaborações e texturas que ampliam sua assinatura. O desfile é um retorno simbólico ao Velho Continente, costurando história pessoal, referências artísticas e a dramaturgia que marca sua trajetória.

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Casa Paganini

Em sua estreia na Casa de Criadores, Guilherme Paganini apresenta “Raízes”, coleção que une rigor de construção e afeto ancestral. Inspirado por sua família e pelas tradições do Espírito Santo, o estilista traz renda filé, biojoias e bolsas de tear manual, mesclando formas arquitetônicas a materiais de forte carga simbólica. Com referências japonesas e uma paleta que remete à natureza brasileira, a coleção afirma um fazer consciente e de tempo estendido, valorizando o trabalho manual como gesto político.

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Lucas Caslú

“Experimentos” nasce de uma imersão no próprio arquivo criativo de Lucas Caslú, onde croquis antigos e peças passadas se encontram em novas combinações. A coleção aposta em contrastes de textura e volume, unindo tecidos leves e estruturados, estampas e elementos artesanais. Inspirado pelo cotidiano urbano de Goiânia e pelas relações humanas, o desfile traduz o vestir como ato expressivo, em que a moda dialoga com a arte para ampliar seu potencial de transformação.

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Guilherme Dutra

Em “Poupées”, Guilherme Dutra parte de lembranças afetivas de seus avós para criar um encontro entre a delicadeza da feminilidade e o rigor da alfaiataria. Entre rendas, vestidos florais e estruturas masculinas reinterpretadas, a coleção se constrói como um ritual de memória. Ao transitar entre o masculino e o feminino, o estilista reafirma a moda como território de afeto e reinvenção, onde a herança se transforma em gesto contemporâneo.

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Erico Valença

“Adiaû” marca a transição de assinatura da marca e explora narrativas de ficção científica com olhar construtivista e minimalista. A coleção parte de uma premissa de desconforto climático imposto, resultando em peças invernais para um planeta quente. Com alfaiataria geométrica, faux-leather artesanal e uso de tecnologias como 3D e IA no processo criativo, o desfile questiona a relação entre moda, tecnologia e sobrevivência, sem abrir mão do rigor de construção e da produção sustentável.

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Plataforma Açu

Com “VO RO NÓI”, a plataforma Açu mergulha em um imaginário biofuturista inspirado no micélio e nas redes que sustentam a vida. Entre tricôs orgânicos, escultura têxtil e impressão 3D, a coleção constrói formas disformes e oníricas, rejeitando a linearidade da moda convencional. É uma fusão entre estética queer, tecnologia e natureza, que propõe novos imaginários e abraça a imperfeição como linguagem visual.

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Vittor Sinistra

“Clímax” transforma a passarela em uma festa de experimentação. Vittor Sinistra cria looks para um elenco imaginário de convidados, com técnicas diversas, reaproveitamento de resíduos e forte presença manual. A coleção expande o caráter lúdico e performático do estilista, reafirmando a moda como espaço de liberdade, provocação e construção identitária.

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Shitsurei

Marcella Maiumi apresenta “Objeto Desconhecido”, um comentário crítico sobre a fetichização e o não pertencimento impostos a corpos amarelos femininos. Inspirada no sci-fi e na estética space age dos anos 60, a coleção combina elementos de sua ancestralidade japonesa a referências de corrida espacial e feminismo, criando um diálogo entre ironia, desconforto e afirmação. A pintura manual e o trabalho têxtil artesanal reforçam a força autoral da marca.

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Jacobina

Em “Névoa”, Raphael Aquino constrói um tributo a mulheres negras cuja memória foi silenciada pela história oficial. Tecidos em camadas, paleta escura e símbolos como lírios evocam delicadeza e resistência, transformando apagamento em presença. A colaboração com a artista Lucélia Maciel acrescenta camadas visuais de memória e afeto, resultando em um desfile que sussurra e resiste ao mesmo tempo.

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